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Números mostram que Ferrari favoreceu Vettel para ultrapassar Raikkonen
31-05-2017
Fórmula 1
Finlandês foi chamado aos boxes na 34ª volta, enquanto companheiro de equipe acelerava na pista. Tetracampeão abriu vantagem, fez o pit stop e voltou na liderança do GP de Mônaco.

A grande pergunta que a notável dobradinha da Ferrari no 75º GP de Mônaco deixou no ar, neste domino, é se houve interferência da direção do time para favorecer Sebastian Vettel ultrapassar o companheiro, Kimi Raikkonen, na operação de pit stop, e vencer a corrida, ampliando sua vantagem para Lewis Hamilton, da Mercedes, no mundial, de 6 para 25 pontos (129 a 104).


Hamilton terminou apenas em sétimo, depois de largar em 13º. Raikkonen recebeu a bandeirada em segundo, apesar de sair na pole position, e Daniel Ricciardo, da RBR, completou o pódio, em terceiro, mesmo começando a competição em quinto.


Resposta: é bem provável que a Ferrari se aproveitou de uma condição da prova, criada por ela mesma, para promover a troca de posição entre seus pilotos, sem precisar de ordem de equipe direta, legal, mas sempre desgastante perante a torcida ou mesmo o amante do esporte.


Por que privilegiar Vettel? Porque antes da largada ele tinha 55 pontos a mais que Raikkonen (104 a 49). Agora, 62 ou 129 a 67. Mais que isso: Vettel é hoje mais rápido e eficiente que o finlandês, quarto no campeonato.


A Ferrari sabe que o piloto mais capaz de obter os melhores resultados, de lutar pelo título, como atestam os números da temporada, é Vettel e não Raikkonen. E, diferentemente da Mercedes, a Ferrari canaliza seus interesses no tetracampeão do mundo. Já ficou explícito. “A Ferrari joga tudo com Sebastian”, afirmou Hamilton, depois da prova. “Eu nunca tive isso na minha carreira.”


Toto Wolff, diretor da Mercedes, não interfere, por enquanto, na disputa entre Hamilton e Valtteri Bottas, quarto em Mônaco. O inglês é o vice-líder, com 104 pontos, e o finlandês, terceiro no mundial, com 75 pontos, 29 a menos do companheiro de Mercedes.


Raikkonen não tinham cara de bons amigos ao deixar o cockpit do modelo SF70H da Ferrari, bem como o seu engenheiro, Dave Greenwood. O piloto devia estar se perguntado por qual razão foi chamado para o pit stop ainda na 34ª volta, de um total de 78, nem metade da corrida, numa pista onde os pneus quase não se desgastam. Ele liderava na 33ª volta, uma antes do pit stop, com 1s138 de vantagem para Vettel, segundo. Haviam largado nessas posições.


Os dois, como quase todos os demais pilotos, largaram com pneus ultramacios. A exceção foi Marcus Ericsson, da Sauber, com supermacios. A Pirelli distribuiu, ainda, os macios no evento no principado.


Ordem da equipe


Questionado, se pediu para fazer a parada ou a equipe o chamou, Raikkonen respondeu de bate-pronto: “Fui chamado”. Esse foi o ponto chave da corrida, daí a reação quase monossilábica do finlandês.


A Ferrari tem um argumento técnico, descrito por Vettel, pois seu diretor geral, Maurizio Arrivabene, não fala com a imprensa, para justificar a chamada para os boxes de Raikkonen e que, em essência, determinou o vencedor do GP de Mônaco. Acompanhe. Bottas era terceiro na 32ª volta, 4s986 atrás de Raikkonen, líder, e a 4s002 de Vettel, segundo. Bottas fez a sua parada na volta seguinte, 33ª.


Vettel procurou explicar que foi uma decisão não motivada para que ele assumisse a liderança da corrida. “Eu vi no telão Valtteri fazer o pit stop e fui informado, também. Sabia que ele tentaria o undercut, caso contrário, qual o sentido de parar.”


Undercut é quando o piloto antecipa a parada, sai com os pneus novos, estabelece tempos melhores do piloto que tenta ultrapassar, para que, quando este fizer o pit stop, deixe os boxes atrás.


Vettel, ainda: “Me disseram que Kimi entraria. Sabia que não podia entrar junto, estávamos muito próximos. Talvez eu tivesse mais uma, quem sabe duas voltas”. A forma que os pilotos têm de se defender, reduzir as chances de serem ultrapassados no undercut, é fazer o pit stop na volta seguinte, não perder tempo ao permanecer com os pneus usados na pista, daí Vettel falar que Raikkonen e ele devessem parar juntos.


Não é um argumento coerente, nesse caso. Em primeiro lugar, Bottas parou na 33ª volta porque Max Verstappen, da RBR, quarto àquele altura, estava atrás dele, bem perto, 1s277, e fez seu pit stop na 32ª volta. Claramente a RBR tentava o undercut entre Max e Bottas, ganhar o terceiro lugar do piloto da Mercedes. Max estava bem perto e tinha bom ritmo, condição necessária para o undercut dar certo.


Bottas lutava com Max, não com Raikkonen


Importante: A Mercedes chamou Bottas, na volta seguinte à parada de Max, para se defender dessa tentativa de undercut de Max. E não para Bottas tentar o undercut em Vettel. A distância de Bottas para Vettel, na 32ª volta, um antes do finlandês parar, era de 4s002, grande demais para um piloto tentar ganhar a posição do que está na sua frente recorrendo ao undercut. A explicação de Vettel, portanto, não tem consistência.


A Ferrari chamou Raikkonen na 34ª volta por saber que Vettel, com pista livre e pneus ultramacios ainda em bom estado, pois, como mencionado, eles quase não se desgastam nos 3.337 metros no Circuito de Monte Carlos, poderia provavelmente produzir mais do que Raikkonen ao deixar os boxes com os supermacios.


Os números comprovam. Na 34ª volta, a primeira sem Raikkonen na frente, Vettel registrou 1min16s592. O finlandês havia feito na passagem anterior à parada, 33ª volta, 1min17s034, e na 32ª, 1min17s663. Ritmo lento, diga-se. Mas que não justifica a chamada da Ferrari para Raikkonen fazer o pit stop porque Bottas, terceiro, estava, como mencionado, a 4s002 de Vettel, segundo, e a 4s986 do próprio Raikkonen.


Vettel passou a voar baixo, essencial para o plano de ele ultrapassar Raikkonen na operação de pit stop funcionar. Faria o contrário do undercut com o companheiro. Pararia depois e ainda assim ganharia sua posição, o overcut. Mônaco é tão especial que ajuda a acontecer essas coisas. Vettel marcou espetaculares 1min16s446 na 35ª volta, 1min16s264 na 36ª, 1min15s587 na 37ª e 1min15s238 na 38ª, sua melhor volta na corrida. Na 39ª, cinco depois de Raikkonen, Vettel fez a sua parada.


Outro dado fundamental: enquanto Raikkonen na volta de entrada nos boxes, 34ª, fez 1min34s039, Vettel na 39ª, quando fez o seu pit stop, registrou 1min32s673. Foi, nas mesmas condições, 1s366 mais rápido.


Não acabou. Raikkonen, com os supermacios novos colocados no pit stop, tinha mesmo ritmo mais lento que Vettel com os ultramacios de 34 voltas. Na 37ª, primeira efetivamente com os pneus aquecidos depois da parada, Raikkonen obteve 1min16s133. Vettel, acelerando tudo para tentar o overcut, 1min15s587. Na passagem seguinte, última antes de Vettel fazer o pit stop, Raikkonen registrou 1min15s606 e Vettel, 1min15s238. O alemão foi 368 milésimos mais rápido.


Emenda ficou ainda pior


No comunicado da Ferrari, Arrivabene disse que Vettel permaneceu na pista mais tempo por estar em luta com Ricciardo. Quando o australiano parou, na 38ª volta, Vettel foi chamado na passagem seguinte para, segundo a Ferrari, se defender do undercut. Outro argumento sem sentido técnico. Desculpa para explicar a parada desaconselhável de Raikkonen na 34ª volta.


A exemplo do que se passou com Bottas, que não era adversário de Raikkonen, também Ricciardo não lutava com Vettel. Na 37ª volta, uma antes do seu pit stop, estava 5s242 atrás do alemão, diferença grande para tentar o undercut. Os dois não haviam ainda parado. A luta de Ricciardo era com Bottas e Max, haja vista que ganhou a posição dos dois.


Na 40ª volta, uma depois de Vettel fazer o pit stop e duas após Ricciardo realizar o seu, o alemão era o primeiro colocado, com Ricciardo em terceiro, mas 8s181 atrás. E em relação a Raikkonen, segundo, o australiano estava a 6s123. Essas diferenças ratificam que a RBR em nenhum instante pensou em levar Ricciardo ganhar a posição de Vettel, como a Ferrari deseja que as pessoas acreditem, por sua luta ser outra, com Bottas e Max.


Vamos recapitular?


A Ferrari chamou Raikkonen na 34ª volta por ter elementos para acreditar que Vettel poderia ser mais rápido do que fazia o finlandês e, dessa forma, ultrapassá-lo, mesmo parando depois. De fato, Vettel obtém tempos bem melhores não apenas dos que Raikkonen fazia antes da parada como até mesmo depois do finlandês estar na pista com os supermacios novos. Ainda: a volta de entrada nos boxes de Raikkonen, 34ª, foi 1s366 pior que a Vettel, na 39ª.


Não acabou. Ao deixar os boxes, na 34ª volta, Raikkonen encontrou pela frente dois retardatários, talvez até previstos pelos estrategistas da Ferrari, para complicar um pouco sua vida e dar mais chances a Vettel. Acredite, não é impossível. Era a dupla Marcus Ericsson, da Sauber, e Jenson Button, McLaren, na luta pelo 19º lugar.


Tudo somado, o tempo perdido por Raikkonen para ultrapassar os dois retardatários depois do pit stop e os tempos não tão bons estabelecidos com os pneus supermacios na sequência permitiram que Vettel, com suas voltas voadoras antes da parada, fosse para os boxes, na 39ª volta, e saísse imediatamente na sua frente.


O tempo total perdido nos boxes jogou também a favor do alemão. Raikkonen, 24s833, e Vettel, 24s306, ou 527 milésimos mais rápido. Coloque nessa balança, o importante aspecto, como citado, da diferença entre o tempo da volta de entrada de Raikkonen e Vettel, 1s366, sempre a favor de Vettel.


Alemão, além da conta


Qual a conclusão que esses números nos levam? A Ferrari trabalhou para Vettel ultrapassar Raikkonen e vencer, ao chamá-lo para os boxes sem necessidade, na 34ª volta, por seus estrategistas entenderem que as chances de um overcut eram boas se Vettel fizesse a sua parte. Pois o alemão foi além dos que os italianos esperavam, com uma performance espetacular. O melhor do GP.


Assim, ao deixar a pista interna da curva 1, na 39ª volta, depois de sair dos boxes, Vettel estava cerca de 50 metros na frente de Raikkonen, agora apenas segundo colocado. Como naturalmente Vettel tem sido mais veloz que Raikkonen, o tetracampeão do mundo começou a abrir boa vantagem.


Com os supermacios novos, como Raikkonen, Vettel seguiu registrando melhores tempos. Na 59ª volta, vinte voltas depois de assumir a liderança e uma antes do safety car gerado por um acidente entre Pascal Wehrlein, Sauber, e Button, entrar na pista, Vettel tinha 11s990 de vantagem para Raikkonen, segundo.


É verdade, também, que Raikkonen, ao compreender que só lhe restava a segunda colocação, literalmente deixou de acelerar para valer. Até porque ninguém o ameaçava seriamente. Na 39ª volta, a que perdeu a liderança para Vettel, o terceiro colocado era o ótimo Ricciardo, 7s238 atrás.


A RBR adotou para o australiano o overcut também, na 38ª volta, e ele ultrapassou de uma vez Bottas e Max. O ritmo lento do piloto da Mercedes, depois da sua parada, na 33ª volta, com dificuldade na temperatura dos pneus supermacios, segurando atrás de si Max, colaborou decisivamente para Ricciardo ganhar a posição dos dois na operação de pit stop.


Como Vettel, o piloto da RBR realizou uma série de voltas, da 30ª a 37ª, no limite máximo do modelo RB13-Tag Heuer (Renault). “Um desastre, um desastre”, disse no rádio Max, sempre em luta com Bottas, ao ser informado que o australiano os havia ultrapassado.


Desobediência?


Vale a questão: e se Vettel não fosse tão eficiente depois de Raikkonen parar e deixasse os boxes atrás do companheiro, frustrando o plano da Ferrari de levar o alemão à primeira colocação? Mais: se Raikkonen questionasse a ordem de fazer o pit stop na 34ª volta, ao responder não sentir necessidade de parar, como de fato não havia.


Ninguém duvida de que se Raikkonen fizesse seu pit stop mais tarde, mesmo com um ritmo não bom, como era o seu àquela altura, teria sido muito mais difícil para Vettel ultrapassá-lo. Com elevadas probabilidades o finlandês teria vencido.


A pergunta foi feita a Raikkonen, se poderia rejeitar a chamada ou ele está 100% nas mãos dos engenheiros. “Obviamente eu posso parar o carro se eu quiser”, respondeu, apesar de a questão ter sido se ele poderia não parar. “Eu posso parar quando quiser porque eu sou o piloto. Temos uma equipe, trabalhamos como um grupo e se você não acredita naquilo que estão te pedindo para fazer então a situação fica bem complicada.”


Plano B


Da forma como Arrivabene está administrando a Ferrari, sendo um fiel seguidor das ordens do linha dura Sérgio Marchionne, presidente da empresa e da Fiat, é bem provável que ainda assim, Raikkonen em primeiro depois do pit stop de Vettel, o italiano não desperdiçasse a chance de dar sete pontos a mais ao alemão com a vitória. O primeiro lugar recebe 25 pontos e o segundo, 18. A luta com Hamilton pelo título será ponto a ponto. E é Vettel o representante da Ferrari.


Em outras palavras, é possível que a Ferrari tivesse um plano B para inverter as posições. Seria surpreendente ver Arrivabene passivamente assistir a Raikkonen, a quem ele e Marchionne criticam publicamente, cobrando maior concentração nas corridas, receber a bandeirada na frente de Vettel. No caso da escuderia italiana, a forma como os 43 pontos da dobradinha (25 + 18) são obtidos faz muita diferença.


A próxima etapa do mundial, dia 11, será no Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. A Pirelli distribuirá no Canadá os mesmos pneus de Mônaco, os ultramacios, supermacios e macios. “Mas o traçado é completamente distinto deste aqui (Monte Carlo)”, disse Hamilton, depois da corrida. “Há 25 pontos de diferença entre nós, mas temos muitas corridas ainda pela frente”, falou.


“Espero não ter lá os mesmos problemas de inconstância na temperatura dos pneus para lutar pela vitória. A pista de Montreal é onde obtive alguns dos resultados mais importantes da minha carreira.” Foi no Canadá que Hamilton venceu seu primeiro GP, em 2007, com a McLaren, e estabeleceu a primeira pole position, no mesmo ano. Ele tem nada menos de cinco vitórias nesse GP, sendo duas nas duas últimas edições do evento, 2016 e 2015.

 

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