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Moradores de cidade mineira que saíram de casa após alerta de sirene não têm previsão para voltar
09-02-2019
Brasil
População de Barão de Cocais reclama da falta de esclarecimentos e perspectivas

BARÃO DE COCAIS - Foi com o som alto da sirene que Elias Rodrigues, de 37 anos, acordou na madrugada de sexta-feira. Ele mora em Barão de Cocais, na região central de Minas Gerais, cidade em que a população foi obrigada a deixar suas casas por risco de novo acidente com barragens construídas com o método à montante, o mesmo da represa de Brumadinho , que se rompeu no dia 25 de janeiro.Também foram evacuados moradores do município de Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.


- Eu levantei correndo com a minha esposa, nos encontramos os vizinhos gritando e fugimos para um ponto seguro lá na roça em que a gente mora - conta.


Naquele momento, o motorista ainda não sabia se a barragem estava rompendo, se estava em risco ou era um treinamento. Ele foi um dos 393 evacuados, de cinco bairros e comunidades rurais, que seguem sem previsão bpara voltar para casa.




- A barragem segue no nível dois de risco (o mais próximo de romper) e tem uma equipe monitorando a cada quatro horas - explicou o Major Eduardo Lopes, superintendente de Gestão de Desastres da Defesa Civil.




Os moradores da área de risco imediato precisaram ser retirados de suas casas para hotéis de Barão de Cocais, Santa Bárbara e Caeté ou para a casa de familiares. Para Elias, diferentemente do que aconteceu com os atingidos em hotéis de Belo Horizonte, não há qualquer tipo de discriminação nos hotéis.




- A equipe é muito atenciosa - elogia.




Segundo a assessoria de imprensa da Vale, a população retirada foi a que estaria imediatamente abaixo da barragem e talvez não conseguisse escapar em caso do rompimento. Além deles, a mineradora estima que mais cerca de mil pessoas poderiam ser atingidas, já que os rejeitos atingiriam o curso d água que, por sua vez, transbordaria. Ainda de acordo com os representantes da empresa, esse cenário levaria cerca de uma hora e meia para acontecer em caso de desastre.


Medo e insegurança


Nos bairros de Barão de Cocais, o clima é de medo e desinformação.




- O boato que corre é que seria a barragem de água que está em perigo - conta uma empresária que mora na parte alta da cidade.




A informação não é confirmada pela Defesa Civil nem pela Vale, mas o depoimento mostra como a falta de informações claras ajuda a criar um clima de ainda mais desespero.




Por medo, o recepcionista Ricardo Nascimento, de 46 anos, decidiu levar a esposa e os quatro filhos, por conta própria, para a casa de parentes em uma região menos arriscada da cidade. Ele, que mora a 30 metros do córrego São João, conta que recebeu, na tarde de sexta-feira, uma equipe dos bombeiros para analisar o risco de alagamento.




- Eles disseram que não tinha risco, que era para a gente ficar de sobreaviso que eles avisaram, mas ninguém explica nada direito, achei melhor não arriscar - conta.




No hotel em que ele trabalha, pelo menos mais uma família teria feito uma reserva na mesma situação.




- Tem um casal com filhos que vão pagar a diária do próprio bolso para não ficar perto do rio.




A assessoria da mineradora também informou que foi montada uma estratégia de comunicação com carros de som e com anúncios na rádio local. A empresa ainda alega que os moradores fora do risco imediato foram orientados a permanecer em suas casas, mas atentos às novas determinações. Não foi informado, no entanto, o que causou o disparo das sirenes, qual a situação da barragem ou o que faria a estrutura voltar ao nível um de risco. 






Enquanto buscava entender a situação no ponto de apoio inicialmente montado pela Defesa Civil, quem também cobra informações mais claras a respeito das causas e riscos de um possível rompimento é o aposentado Geraldo Magela, de 61 anos. Morador da cidade desde criança, trabalhou a vida inteira com mineração e teme pelo que pode acontecer com a sua comunidade.




- Eu estou aqui tem umas 3 horas e não me falaram nada. Eu conheço a região, sei que é uma coisa perigosa (a mineração) e eu fico pensando com o que vai acontecer com o lugar que eu cresci, com o rio que corta a cidade, com todas essas pessoas - desabafa.


 

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