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Mesmo com economia fraca no 2º trimestre, maioria dos analistas vê recessão técnica como improvável
13-08-2019
Mercado
Índice de atividade divulgado pelo BC na segunda-feira apontou risco de retração do PIB de abril a junho. Levantamento do jornal com analistas mostrou, no entanto, que maioria dos economistas projeta crescimento.

Apesar dos dados decepcionantes da atividade econômica no período entre abril e junho, a maioria dos analistas trabalha com a estimativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter avançado no segundo trimestre, afastando assim o risco de entrada do Brasil em "uma recessão técnica".




Na segunda-feira (12), o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de "prévia" do PIB, divulgado pelo Banco Central (BC), mostrou que a economia brasileira encolheu 0,13% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano.




Como o nível de atividade já havia recuado 0,2% nos três primeiros meses deste ano ante o último trimestre do ano passado, a economia brasileira pode ter entrado em uma "recessão técnica" – que se caracteriza por dois trimestres seguidos de tombo do PIB.




Embora o indicador do BC tenha ligado sinal de alerta, uma eventual retração da atividade no segundo trimestre está distante de ser um consenso entre economistas. Um levantamento do jornal com 10 analistas mostrou que há apenas uma previsão de recuo do PIB. Para o período de abril a junho, as projeções vão de retração de 0,2% a crescimento de 0,5%.




O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O IBC-Br, do Banco Central, porém, é somente um indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB – que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números oficiais do PIB do segundo trimestre serão divulgados em 29 de agosto.


Internamente, no segundo trimestre, a fraqueza da atividade ficou evidente em todos os setores: indústria, comércio e serviços. E, no setor externo, o Brasil teve de lidar com uma economia mundial em desaceleração e com a crise da Argentina, importante parceira comercial do Brasil, sobretudo no setor industrial.




"O primeiro semestre ficou bem aquém do esperado, como resultado da combinação de fatores externos e internos", afirma a economista e sócia da consultoria da Tendências, Alessandra Ribeiro. "Os últimos números reforçam o PIB próximo de zero, pelos nossos cálculos, na casa de 0,1%."




Mesmo com as projeções no azul, a decepção parece ter sido a marca de mais um trimestre da economia brasileira. Conforme os dados foram sendo divulgados, boa parte dos analistas teve de revisar para baixo a projeção para o desempenho da atividade no segundo trimestre.




O Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), por exemplo, mudou a previsão para o resultado do PIB no segundo trimestre para uma alta de 0,3%, ante estimativa anterior de expansão de 0,4%. "Considero muito baixa a probabilidade de PIB negativo no segundo trimestre", afirma a economista e do Ibre/FGV, Silvia Matos.




Mais pessimista, o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, acredita que o PIB deve ter recuado 0,2% na comparação como primeiro trimestre. "Os dados do segundo trimestre confirmam a nossa decepção com a economia."






Diferença entre pesquisas


Os analistas chamam a atenção para as diferenças metodológicas entre as pesquisas divulgadas e o resultado oficial do PIB para justificar a manutenção da expectativa de crescimento, mesmo com uma coleção de resultados ruins apurados entre abril e junho




"A pesquisa mensal de serviços do IBGE não é igual ao setor de serviços medido no PIB, é bem diferente. A gente se surpreendeu até positivamente, por exemplo, com os serviços prestados às famílias", diz Silvia, do Ibre. A economista aponta também a recuperação da indústria da transformação, apesar do risco de mais um trimestre negativo para indústria geral.




"A extrativa pode vir até pior e a construção civil provavelmente vai ficar mais para o negativo, mas a transformação voltou a ficar no positivo depois de dois trimestres muito negativos e isso não deixa de ser algum sinal de alento diante de tanta informação negativa", acrescenta.


Segundo semestre é decisivo


Com o resultado ruim do primeiro semestre, o desempenho dos últimos seis meses de 2019 passa a ser decisivo para o crescimento deste ano e, sobretudo, de 2020.




Um crescimento mais fraco na reta final de 2019 pode deixar uma herança estatística pior para o ano que vem, prejudicando uma possibilidade de retomada mais forte. Por ora, segundo o relatório Focus, do Banco Central, os analistas estimam que o PIB deve avançar 0,81% neste ano e 2,1% em 2020.






"O segundo semestre será decisivo em termos de expectativas, com a finalização da Previdência, o andamento da tributária e o leilão de óleo e gás em novembro, que podem ajudar um pouco no ritmo de recuperação deste final de ano", afirma o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.




"Um motivo de preocupação seguirá sendo o cenário internacional, em que a possibilidade de agravamento da crise entre EUA e China siga afetando o crescimento mundial e fazendo com que nosso PIB também seja impactado", afirma.


 

 

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