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Cariocas contam o que fazem para driblar o calor em Santa Cruz, bairro mais quente do Rio
09-01-2019
Brasil
Fenômeno chamado aquecimento adiabático faz com que região bata calor de 40ºC.

O bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, tem registrado as maiores temperaturas neste começo do verão carioca. Para esta quarta-feira (9), a expectativa é que os termômetros cheguem a 39ºC. O jornal  foi ao bairro para saber como os moradores e quem trabalha na área estão se virando para driblar os efeitos do calor.




O eletricista aposentado Nelson José dos Santos anda com dificuldade pelo Calçadão de Santa Cruz. Ele não abre mão da toalhinha para enxugar o suor. "É muito banho, muita água, ventilador em cima, muito refresco e refrigerante", contou.




Ainda assim, Nelson destaca que sempre chega suado em casa, ao ponto de ter que torcer a roupa para tirar o suor. "Tá brabo", ele completa.


Debaixo de sol forte na fila do Terminal Santa Cruz do BRT, a cabeleireira Jaqueline Gomes afirmou que algumas áreas do bairro chegam a sofrer com a falta de água. Para driblar as altas temperaturas, só restam medidas paliativas.




"Um lequinho ou água para diminuir o calor", destacou. Mas se não tiver um leque, qualquer papel que esteja na bolsa pode cumprir esta função.




Francilene Castilho, também moradora de Santa Cruz, reclamava que a fila da condução estava sob o escaldante sol do bairro.




"Vou ficar bronzeada aqui, neguinha. Não preciso nem ir para a praia mais. É só botar o colchão ali e se queimar", ressaltou Francilene.


As toalhinhas como a que Nelson carrega e foram citadas por Jaqueline são um acessório quase indispensável. Elas são vistas nas mãos de uma infinidade de pessoas e servem para enxugar o corpo e até como substitutos de leques.


No bairro mais quente do Rio, os guarda-chuvas ganham outra função no verão: passam a proteger as peles mais sensíveis ao sol.




O gari Paulo César Cordeiro, que mora em Santa Cruz há mais de 40 anos, anda de bicicleta todos os dias. Para driblar o calorão, ele não pensa duas vezes e levanta a camiseta.




"Eu ando assim. Eu sou muito cabeludo, sinto um calor danado, suo para caramba. E tomo muita água. Muita mesmo", explicou Paulo.


O motorista de ônibus Ruan Karl trabalha ao lado do motor, mas tem uma técnica para não sofrer durante a maior parte do expediente. Ele carrega uma garrafa plástica com água congelada. O expediente é muito usado por muitos colegas de função nesta época do ano. Ao longo do trajeto, a água degela, mas mantém uma temperatura fria. "Ao longo do tempo a gente vai colocando mais para poder ir rendendo", destacou.






Calor e lucro


Há quem sofra, mas tem quem fature com o calor. O ambulante Maicon Almeida Vende mais de 100 águas por dia. "Vende mais suco e água por causa do verão, né?"




Tamires da Conceição, que trabalha como vendedora, conta que uma das apostas da loja onde trabalha são os chapéus.




"A gente vende uma média de 30 a 40 chapéus. O que faz mais sucesso são os que têm proteção para as costas", explicou a vendedora. Eles custam de R$ 10 a R$ 15.


Consciência ambiental


Paulo Sérgio de Moura, ambulante há mais de 20 anos, aproveita o calorão para fazer um apelo ambiental para que as árvores não sejam cortadas.


Ele lembra que cada árvore cortada representa menos ar purificado. "Fica mais quente", analisa Paulo Sérgio.




Ele espera que as pessoas se conscientizem sobre a importância do meio ambiente. "O ser humano é o bicho mais destruidor que existe na face da Terra".


Batendo recordes


Santa Cruz detinha o recorde de calor no ano até esta terça-feira (8). No dia 3 de janeiro, a temperatura máxima no Rio foi de 41,3ºC, a maior desde 16 de outubro de 2015.




As maiores temperaturas no começo do ano foram registradas no bairro e na Vila Militar. Santa Cruz tomou o protagonismo de Bangu, bairro também conhecido pelo calor, mas que não possui mais estação metereológica e, por isso, não conta mais com os registros diários sobre o tempo.




De acordo com a meteorologista Aline Ribeiro, do Climatempo, o famoso calor desta área da Zona Oeste do Rio é causado por um fenômeno chamado aquecimento adiabático.




A região está entre a Região Serrana e a Serra do Mendanha. Em dias de vento quente, ele sopra do quadrante norte, do interior do continente para o mar. O ar mais quente, quando desce a montanha, se aquece, provocando o aumento de temperatura. A taxa de aquecimento pode chegar a 1ºC a cada 100 metros morro abaixo.




Por enquanto, a situação dos moradores e de quem circula por Santa Cruz não deve melhorar. A previsão é de tempo aberto pelo menos até a próxima sexta-feira.




De acordo com o Inmet, a temperatura média no Rio no mês de janeiro é de 31,5ºC. Nos primeiros dias de 2019, a temperatura máxima média foi de 37,5ºC.


 

 

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