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Avaliação da saúde mental de pilotos é ineficaz, diz especialista dos EUA
28-03-2015
Mundo
Pilotos e especialistas em segurança dizem que avaliação é insuficiente. Testes são feitos na contratação, mas acompanhamento é superficial

O rastreamento de problemas mentais em pilotos de companhias aéreas é muito raro, apesar das regulamentações - adotadas nos Estados Unidos, Europa e outros países - que dizem que a saúde mental deve fazer parte dos exames médicos regulares desses profissionais. Essa é a opinião de pilotos e especialistas em segurança ouvidos pela Associated Press.  A queda do voo 9525 da Germanwings na França, que matou todas as 150 pessoas a bordo da aeronave, levantou questões sobre o estado mental do copiloto. Autoridades acreditam que o alemão de 28 anos deliberadamente buscou destruir o Airbus A320 enquanto voava, nesta terça-feira, de Barcelona a Dusseldorf.

Nos Estados Unidos, a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) exige que os pilotos se submetam a um exame físico anualmente ou a cada seis meses, dependendo da idade do piloto. A Organização Internacional de Aviação Civil, agência da ONU que estabelece padrões globais de aviação, também exige que pilotos se submetam a exame médico periódico, que inclui uma avaliação mental.

Tecnicamente, médicos devem sondar a existência de problemas mentais, mas pilotos dizem que geralmente não é assim que funciona. "Realmente não há avaliação da saúde mental", diz John Gadzinski, capitão de uma companhia aérea importante dos Estados Unidos. Em 29 anos de profissão, ele nunca foi questionado sobre sua saúde mental pelos médicos.

Bob Kudwa, ex-piloto da companhia American Airlines e executivo que mantém sua licença de piloto, diz que seu exame mais recente feito por um médico de aviação abordou problemas de saúde que pessoas experimentam quando ficam mais velhas. "Eles não fazem nada para a sua cabeça", diz.
 Não há confidencialidade na consulta, acrescenta Gadzinski. "Se você tivesse um problema de saúde mental, certamente não falaria para o médico de aviação porque a informação iria direto para a FAA", diz. Uma avaliação negativa da saúde mental poderia levar a FAA a retirar a licença de piloto comercial, o que acabaria com a carreira do piloto.

Os pilotos são solicitados a mencionar condições psicológicas existentes e medicações em formulários de saúde que precisam preencher para a FAA. Deixar de fazê-lo pode levar a uma multa de até US$ 250 mil. Os formulários incluem questões sobre depressão e tentativas de suicídio, segundo Gadzinski.

"Essa realmente é a melhor forma? Perguntar à pessoa que tem doença mental se ela tem doença mental e se ela disser 'não', então está tudo bem?", questiona.

Mike Karn, presidente da Coalizão de Associações de Pilotos de Avião, diz que algumas companhias aéreas e sindicatos colaboram em programas de aconselhamento de piloto para piloto para aqueles que estejam experimentando estresse incomum.

Na Europa
A Europa tem um único padrão para exames médicos para pilotos. "Essas avaliações médicas são feitas por médicos com especialização em saúde de aviação", diz Richard Taylor, porta-voz da Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido. "Eles sabem o que procurar, fisicamente e mentalmente."

Promotores alemães, que também estão investigando a queda do avião, disseram nesta sexta-feira que encontraram evidência de que o copiloto Andreas Lubitz pode ter escondido uma doença. Eles não identificaram qual. Autoridades da Lufthansa, dona da Germanwings, disseram que Lubitz tinha bons resultados em testes de habilidade de voo e eles não tinham ideia de que ele tivesse qualquer problema.

Acompanhamento superficial
As companhias aéreas geralmente pedem para pilotos fazerem exames de saúde mental quando se candidatam a um emprego, mas o acompanhamento é superficial, na melhor das hipóteses, dizem os especialistas.

"Se você tiver 12 mil, 15 mil pilotos como a American Airlines, de vez em quando vai ter um maluco, não importa o que faça", diz Kudwa.

Quando isso acontece, outros pilotos que voam com o piloto instável "mais cedo ou mais tarde vão avisar ao chefe" e a companhia vai pedir que ele seja observado em voo por um outro piloto para checar se há algum problema.

"Você tenta tirar essas pessoas do programa, mas até na minha carreira eu me deparei com caras que eu pensava, 'Como eles passaram pelo sistema?'", diz Kudwa, que foi piloto da American Airlines por 28 anos.

Pilotos de companhias aéreas americanas geralmente recebem treinamento de suas empresas a cada seis meses para manter suas habilidades de voo. Nestas ocasiões, pilotos chefes geralmente monitoram a performance dos outros pilotos e perguntam sobre sua estabilidade emocional, diz John Goglia, ex-membro do Conselho Nacional de Segurança do Transporte e consultor de segurança de aviação.

"É muito, muito solto", diz Goglia. "É fácil de contornar isso, porque não é um profissional de saúde mental que está fazendo as perguntas", diz.

 

Fotos

Foto de arquivo mostra Andreas Lubitz, o copiloto do voo 4U9525, correndo na Airportrun, em Hamburgo (Alemanha), em setembro de 2009: queda levantou questões sobre estado mental do copiloto (Foto: Michael Mueller/AP)

 

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