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Não é mimimi e não foi censura , diz autora que tirou livro Peppa de circulação após acusação de racismo
24-11-2017
Educação
Silvana Rando diz que o Brasil é um país racista, conta que foi xingada por causa da repercussão da obra e que não quer alimentar discórdia entre os defensores do livro e os críticos.

No livro Peppa, Silvana Rando aparece entre as amigas da protagonista. (Foto: Reprodução)


No livro Peppa, a escritora Silvana Rando se representou em uma das personagens. Aparece em um cabo de guerra, veste camisa do Flamengo e tem cabelo chanel. Nove anos depois do primeiro rascunho, ela tirou o livro de circulação após críticas de que ele é racista. Entre os motivos da retirada, a certeza de que não queria incentivar a disputa entre os críticos de aspectos da obra e os dos defensores da liberdade de expressão. "O que mais me assustou foi a discórdia", conta Silvana.


Em entrevista ao G1, a autora nega que tenha tido qualquer intenção racista ao contar a história de uma amiga de origem oriental que tinha cabelos crespos, que fez um alisamento e só voltou a ser feliz após reassumir sua condição natural.


"Reconheço que, em um Brasil racista, ao usar a comparação com um fio de arame, você esbarra em questões do racismo. Mesmo que minha intenção não tenha sido essa, reconheço que ele (o livro) pode machucar" - Silvana


As primeiras críticas vieram em abril de 2016 em um vídeo no canal de Ana Paula Xongani no Youtube (veja abaixo). Silvana discorda do tom, da forma e da abordagem da ativista. Mas afirma reconhecer sua legimidade para expressar suas opiniões.


"Ela ignora o que eu quis dizer e vê a leitura dela. Ela pode. Qualquer pessoa pode interpretar um livro", afirma Silvana, lembrando que a ativista foi criticada por não ter conhecimentos sobre literatura e que isso não deve invalidar sua opinião.


"Não importa a minha interpretação (como autora). A dor (dos ofendidos) é real", reafirma a autora.


Ao longo de um ano, e sobretudo no fim de outubro, o debate se aprofundou. Silvana disse que foi perseguida e xingada nas redes sociais, e que também viu muitas críticas e ataques à autora do vídeo. No meio desse Fla-Flu, decidiu capitular, rendeu-se junto com sua obra e tirou Peppa de circulação. O post da atriz Samara Felippo (veja post abaixo) e comentários de pessoas próximas consolidaram a decisão.




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Como muitos já estão acompanhando saí de uma bolha sem tamanho (ainda estou saindo) Nasci e cresci inconscientemente racista, machista. Sim, somos!! A sociedade impõe isso. Incute. Crianças não nascem racistas e preconceituosas. Minhas filhas estouraram a bolha, na qual eu já estava querendo me libertar a um tempo. Não por elas sofrerem ou terem sofrido racismo, felizmente ainda não passei por esse tipo de situação. Mas sei que acontece todos os dias. Dentre minhas andanças na luta e cultura negra, lendo, pesquisando, me calando, ouvindo, reconhecendo, abrindo mão, tenho descoberto um racismo estrutural enorme. Sutilezas racistas do dia a dia que nem percebemos e estou abolindo da minha vida. Porque pra mim enquanto mulher é bem mais fácil reconhecer o machismo, mas enquanto mulher branca quase impossível fazer o mesmo sobre o racismo. Onde quero chegar? Cada livro que leio com minhas filhas me atento a saber que história esta sendo contada. Como irá chegar até elas. Comprei o "Peppa" e de primeira achei fofo, lúdico e "tudo bem", apenas uma história de aceitação. Mas através do meu canal #muitoalemdecachos (gratidão🙌🏻) fui carinhosamente alertada sobre, como para os negros o racismo está sutilmente manifestado ali. E não!!! Talvez a autora nem tenha tido NENHUMA intenção, ela quis apenas passar a mensagem positiva de aceitação e não imposição de um "padrão", mas ela é branca. Nossa visão é outra. Retirei do meu vídeo e não recomendo a leitura. Enfim. Cada dia descubro algo novo. Estou me esforçando para aprender e talvez eu ainda cometa erros. Amigos negros, me corrijam, me ensinem! 🌹 Para melhor entendimento assistam o vídeo no youtube da @anapaulaxongani "Peppa NÃO". @sabrinahgiampa também faz uma resenha muito boa sobre ele no blog #cachosefatos 😘 PS: Pra quem não entendeu, entre nas resenhas que indiquei acima👍🏻


Foi o fim da obra que chegou a ter 10 edições e vendeu 37 mil exemplares, números acima da média em um mercado no qual a maioria das publicações não passa da primeira edição com apenas 3 mil exemplares.


Na primeira versão, ainda no rascunho em um guardanapo de lanchonete, Peppa era uma super-heroína e usava capa. A ideia evoluiu, sem os toques fantásticos ou surreais inicialmente pensados, até ser tornar o primeiro livro escrito e ilustrado pela autora. Antes das críticas, Peppa foi eleito um dos 30 livros do ano pela Revista Crescer em 2010.


Apesar da trajetória de sucesso, a interpretação da obra mudou, como ocorreu na percepção da própria atriz citada por Silvana. E a autora não desqualifica as críticas de quem viu racismo na obra.


"Não é mimimi. O mundo está melhorando e as pessoas estão se importando mais com as outras pessoas. Será que eu escreveria isso hoje?" - Silvana


Atualmente a autora está escrevendo uma história sobre muros, baseada em um episódio na sua infância em que as cercas de sua casa foram derrubados e teve acesso ao quintal dos vizinhos. Pensando e refletindo sobre limites e a liberdade, usou a palavra empatia para resumir a decisão de tirar o livro de circulação.


Silvana nega censura, apesar de reconhecer que o mercado de livros infantojuvenis está no alvo de diversas frentes de ataque, assim como todas as formas de arte. No caso da literatura, o caso mais recente foi contra o livro “Enquanto o sono não vem”, de José Mauro Brant, da Editora Rocco.


"É complicada a censura, no meu caso não foi, mas sou totalmente contra"


Segundo ela, a decisão de tirar o livro foi apenas dela. A editora Brinque Book até abriu a possibilidade de a autora mudar a obra. "Teria que refazer o livro inteiro. Prefiro fazer coisas novas. O livro foi importante, abriu o diálogo", afirma.


Ainda ligada à história de Peppa, ela diz que o fato de precisar que pais e professores compartilhem a leitura foi outra das razões para optar pela retirada, já que ela vê que "dois livros" passaram a existir depois das crítricas: a sua versão da obra que tinha a intenção de contar uma história de aceitação e a versão dos críticos, que apontava o racismo.


"Se eu escrevesse para adultos, talvez eu deixasse. Mas como escrevo para crianças, existe (o viés da) mediação", analisa, apontando que não gostaria de ver um suposto viés racista como predominante nas escolas.


Peppa, de Silvana Rando, que foi acusado de ter conteúdos racistas. (Foto: Divulgação)

 

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